quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

TEOLOGIA CONTEMPORÃNEA - KARL BARTH.

KARL BARTH
SUA IMPORTÂNCIA HISTÓRICA E TEOLÓGICA NO RESGATE DA PALAVRA DE DEUS.
João Ricardo Ferreira de França*


INTRODUÇÃO.

Durante a penetração do Racionalismo dentro da Igreja de Cristo que gerou o dilema do Liberalismo Teológico temos novos tempos e novas mentes; neste tempo a academia sofria com as idéias modernas, a negação dos milagres, da relação de Deus com o universo criado – o Deísmo – como algo controlador e norteador da perspectiva humana.
O existencialismo estava aflorado na sociedade e havia ganhado uma popularidade significativa, mas o homem continuava na incredulidade, pois, havia descido a linha do desespero e não sabia como retornar de lá.
Surge no cenário Bultmann que tenta responder as indagações de sua época propondo o método de interpretação que ficou conhecido como “Desmitologização”, neste método ele propunha interpretar a Bíblia mostrando os seus mitos, mas dizendo que os mesmo eram necessários, pois, comunicavam uma realidade maior – daí os milagres que a Bíblia narra não ocorreram verdadeiramente, mas são mitos que precisam ser desmitologizados para se chegar à realidade por trás deles.
A problemática é que todos os milagres, inclusive a ressurreição de Cristo deixou de ter significado na vida da Igreja no advento do Liberalismo Teológico; então, gerou-se mais uma crise desesperadora.
Neste ponto surge Karl Barth que tenciona mostrar que o conceito querigmático apresentado por Bultmann só encontra sentido se houver uma revelação de Deus – na natureza, na Palavra Escrita e na pregação da Igreja; isto tudo só era possível se a Palavra de Deus encarnada se manifestasse como tal à Igreja. Naquele momento estava nascendo a Teologia Dialética ou a chamada Neo-Ortodoxia tendo como o seu maior expoente Karl Barth.
Neste trabalho visamos oferecer uma visão geral da vida de Barth de suas duas principais obras – Comentário da Carta de Paulo aos Romanos e Dogmática Eclesiástica – a primeira obra foi uma resposta final e definitiva contra o Liberalismo Teológico; e a segunda foi um revitalizar da Igreja de Cristo. Também tencionamos discutir resumidamente a teologia desenvolvida por Barth.
Ele surge em um cenário onde há uma profunda confusão; não se sabe ao certo o que se deve fazer com Deus, com Bíblia, com Jesus Cristo e a Igreja em um mundo que já desacreditou de tudo isso?
Mas, não é somente isso Barth surge dentro de um contexto totalmente novo na história do mundo; em um período de duas Guerras Mundiais. Ele notoriamente como um homem da Palavra visa reconfortar a sua pequena Igreja na Alemanha – e o seu ministério Pastoral o livra do Liberalismo Teológico – e precisa posicionar-se contra o tratamento que o partido Nazista está manifestando aos que não se alinham a ele.
Barth se torna um teólogo que resiste aos interesses políticos de Hitler e se opõe tenazmente à Igreja da Alemanha que se coloca sob o julgo do Nazismo para conseguir estabilidade como denominação nacional. Então, surge um teólogo em meio a necessidade de se responder à sociedade de sua época.
Ele passa a escrever teologia para confortar e despertar a Igreja de Cristo, todavia, o que ele faz é muito mais do que isso, ele consegue deter o avanço do Liberalismo Teológico dentro das Igrejas, consegue organizar a Igreja Confessante que se coloca contrária aos interesses do Nazismo.
Desenvolve uma perspectiva Bíblica para as noções da dogmática, com muitos equívocos presentes em suas obras, todavia, é precisamente no cristocentrismo de sua teologia que consegue comunicar eficazmente o Evangelho nos tempos em que a Palavra de Deus parecia não ter mais significado na vida das pessoas.
Este trabalho visa apresentar todas estas questões de forma resumida para que possamos refletir sobre a importância de Karl Barth para a vida da Igreja e para a Teologia Contemporânea.


I – SUA VIDA.

Na nossa jornada introdutória à teologia de Karl Barth precisamos conhecer um pouco da história de sua vida. Temos ciência de que o contexto no qual Barth está inserido é o do liberalismo teológico (FERREIRA, 2008, p,417).
Karl Barth nasceu em Basel, Suíça, no dia 10 de maio de 1886. Era filho de Fritz Barth, um ministro reformado e professor de Novo Testamento e História da Igreja na Universidade de Bern, na Suíça, e Anna Sartorius. Ele recebeu sua educação inicial como membro da Igreja Reformada Suíça por seu pastor, Robert Aeschbacher.

Depois foi estudar teologia nas universidades de Bern, Berlin, Tübingen, e Marburg, tendo recebido seu bacharelado em 1919. Sua monografia foi sobre “O Descensus Christi ad inferos nos três primeiros séculos”. Suas principais influências acadêmicas foram Adolf von Harnack (1851-1930), Hermann Gunkel (1862-1932), Adolf Schlatter (1862-1938) e Willhem Herrmann (1846-1922). De 1908 a 1909 foi secretário de redação da revista Christliche Welt, em Marburg. Em 1913 ele se casou com Nelly Hoffman, uma talentosa violonista, com a qual teve uma filha e quatro filhos. (FERREIRA, 2008, p,417).

Somos informados que “por algum tempo ele foi um liberal declarado” e que no ano de

1911, ele se tornou pastor de uma pequena igreja reformada no noroeste da Suíça, na região politicamente neutra, mas próxima da conturbada Alemanha, onde era o seu lar espiritual. Desfrutando essa posição ele assistiu a Europa ocidental passar pela agonia da Primeira Guerra Mundial. (LATOURETT, 2006, p.1880).

Foi exatamente o ministério pastoral que o fez pensar sobre a posição que abraçara, ou seja, o fez refletir sobre a posição liberal. Um historiador nos diz que “foi durante esses anos, de pregação dominical à sua congregação ao som das grandes aramas, que ele foi forçado a pensar em uma renovação da sua fé” (LATOURETT, 2006, p.1880).
A gota d’água que o fez abandonar o liberalismo teológico foi o fato de muitos professores, a quem Barth admirava muito, abraçaram o discurso do Nazismo, ele mesmo expressou isso nos seguintes termos:

O verdadeiro fim do século dezenove, o fim daquilo que depois veio a ser chamado de la belle époque, coincide de fato, também para a teologia protestante, com o ano fatídico de 1914. Puro acaso? Seja como for, justamente naquele ano que Ernst Troeltsch, reconhecido como o sistematizador e o corifeu de toda a escola moderna, abandonou definitivamente sua cátedra de teólogo para passar à faculdade de filosofia... Pessoalmente, não posso esquecer aquele triste dia do inicio de agosto de 1914 no qual 93 intelectuais alemães afirmaram publicamente sua concordância com a política belicista do imperador Guilherme II e de seus conselheiros; profundamente assombrado, tive de constatar que, entre estes, constavam os nomes de todos os professores de teologia que até então eu respeitara e ouvira com confiança. E, como eles se haviam enganado em seu ethos de forma tão marcante, uma conclusão se me impunha; não podia mais segui-los em sua ética e em sua dogmática, em sua exegese da Bíblia e em seu modo de ensinar a história; resumindo, a partir daquele momento, a teologia do século vinte, ao menos para mim, não podia mais ter nenhum futuro. (Apud, GIBELLINI, São Paulo: Loyola, 1998, p. 18.)

Aqui nós temos um novo Barth que rompe definitivamente com o liberalismo teológico que era vivenciado na academia.


II – SUAS OBRAS.

2.1 – comentário à Carta aos Romanos.

Barth tornou-se conhecido quando produziu sua significativa obra que é o comentário à Carta de Romanos. Muitos historiadores indicam que esta obra foi o golpe de misericórdia na Teologia Contemporânea – ou no conhecido Liberalismo Teológico – pois neste
livro Barth formulou vigoroso protesto não apenas contra a teologia contemporânea, mas contra toda a tradição que se vinha formando desde Schleiermacher e que fundamentava o cristianismo na experiência humana e considerava a fé um elemento na vida espiritual do homem. A Carta aos Romanos foi também um protesto contra aquelas escolas que tinham transformado a teologia em ciência da religião e tinham apresentado a análise histórico-crítica da Bíblia como a única interpretação possível. Barth publicou a segunda edição da obra poucos anos depois, e esta edição, completamente revisada, pode ser considerada o início da nova escola que posteriormente se tornou conhecida como a escola dialética. Como fez ver claramente na Carta aos Romanos, Barth pretendia substituir a interpretação meramente filológica e histórica com uma exposição “dialética” mais profunda do próprio material bíblico. Encontrou exemplos principalmente nos clássicos da tradição cristã, como, por exemplo, em Lutero e Calvino. A interpretação da Bíblia de Barth, entretanto, não é mera cópia da obra dos reformadores; a dialética que encontrou na Bíblia não é, como acontece com Lutero, o contraste entre a ira e a graça de Deus, entre o pecado do homem e a justiça providenciada por Deus; é antes o contraste fundamental entre eternidade e tempo, entre Deus como Deus e o homem como homem. A aplicação deste conceito fundamental, via de regra, resultou na rejeição do humano, fazendo assim lugar para a revelação divina, para o “totalmente outro”, que é revelado pela palavra de Deus aos que em espírito de humildade mostram-se receptivos às ações divinas e à mensagem da igreja. (HÄGGLUND, 1995, pp. 343-345)

A publicação desta obra deu-se em 1919 sendo uma grande arma contra os liberais de sua época, neste comentário Deus é apresentado como sendo o absolutamente ou o totalmente Outro, não no sentido fenomenológico, mas no sentido teológico do termo. Barth traz esperança a uma congregação que precisava ser pastoreada, e assim, no meio da esperança Barth traz à lume da chamada Teologia da Crise porque a morte e a desgraça tem cercado a história do homem, sendo isso verdadeiro, o homem precisa encontrar a esperança que só encontra no Cristo anunciado pela Igreja de Cristo. Deve-se lembra que

O Deus da Carta aos Romanos é o Deus absconditus, o totalmente Outro (das ganz Andere), conceito que Barth extrai de Rodolf Otto, inserindo-o, porém, não em um contexto fenomenológico, e sim teológico. Nenhum caminho vai do homem a Deus: nem a via da experiência religiosa (Schleiermacher), nem a da história (Troeltsch), e tampouco uma via metafísica; o único caminho praticável vai de Deus ao homem e se chama Jesus Cristo. E, se a justificação é a relação positiva entre o homem e Deus, então esta é justificatio forensis, justificação declarada por Deus. Entre o homem e Deus passa uma linha de morte (Todeslinie), que permanece absolutamente intransponível por parte do homem, ou dentro da história do homem, e sim a crise (Krisis) incessante de toda história. A história do homem, que é história de pecado e de morte, está sob o juízo de Deus, sob o não, mas trata-se de um não dialético, superado no sim que Deus pronuncia em Jesus Cristo. A ressurreição de Cristo é irrupção do mundo novo no velho mundo da carne, mas só tangencialmente. “Na ressurreição, o mundo novo do Espírito Santo é posto em contato com o velho mundo da carne. Mas ele o toca como a tangente toca o círculo, sem tocá-lo, e, precisamente na medida em que não o toca, toca-o como a sua limitação, como um mundo novo”. O evangelho que Paulo quer anunciar no grande mercado espiritual e religioso de Roma não é uma mensagem religiosa, que informe sobre a divindade e a deificação, e sim a alegre e boa notícia de Deus, cuja acolhida é a fé. Mas a fé nada tem a ver com a lama da experiência religiosa; ela é milagre, salto no vazio, vácuo (Hohlraum) para a graça de Deus. A justificação só acontece por meio da fé, mas, aqui, fé – e agora chegamos a um dos pontos mais controversos da interpretação bartiana – significa fidelidade a Deus. A fé do crente é espaço vazio para a fidelidade do Deus da promessa. A Epístola aos Romanos está sob o signo da infinita diferença qualitativa (Kierkegaard) entre Deus e o homem e mostra uma concepção rigorosamente radical de fé e graça. (GIBELLINI, A teologia no século XX, pp. 21-22.)

Esta obra é considerada o texto mais representativo da teologia dialética. Aqui ele enfatizou a deidade de Deus, Deus como “absolutamente outro”, a “distinção qualitativa infinita” entre Deus e o homem. Aqui a teologia é o estudo não de filosofia humana ou experiência religiosa, mas da palavra de Deus. Para Barth, “a Bíblia [veio a ser] não meramente uma coletânea de documentos antigos a serem examinados criticamente, mas, sim, uma testemunha de Deus”. (BROWN, 1989, p. 159.)

2.2 – A Dogmática Eclesiástica.

Somos informados que Barth foi convidado no ano 1922 para ser preletor em uma conferência sobre a Teologia Reformada na Universidade de Göttingen (FERREIRA, 2008, p. 421); ali é ajudou a desenvolver a conhecida Teologia Dialética.
Naquela Universidade ele dedicou-se ao estudo da Teologia Reformada conforme entendida por Calvino; ele era um profundo admirador de Calvino a tal ponto de escrever a um amigo a seguinte observação:

Calvino é uma catarata, uma floresta primitiva, um poder demoníaco, algo vindo diretamente do Himalaia, absolutamente chinês, estranho, mitológico; perco completamente o meio, as ventosas, mesmo para assimilar esse fenômeno, sem falar para apresentá-lo satisfatoriamente. O que recebo é apenas um pequeno e tênue jorro e o que posso dar em retorno, então, é apenas uma porção ainda menor desse pequeno jorro. Eu poderia feliz e proveitosamente assentar-me e passar o resto de minha vida somente com Calvino (Apud, GEORGE, 1994, p. 163-164.).

Isto notoriamente o conduziu a escrever uma obra chamada de Dogmática Cristã, todavia, ele foi severamente criticado por basear sua teologia na corrente existencialista, fugindo em certa medida da teologia de Calvino; é claro que ele fazia a leitura teológica com os óculos do Existencialismo, mas não na mesma medida que Bultmann; isto fez com que ele voltasse o caminho novamente e refisse tudo o que havia escrito na Dogmática Cristã – isso em 1927 – então, produziu uma obra mais significativa – a chamada Dogmática Eclesiástica.
O que fez Barth mudar? Ele queria uma teologia mais cristocêntrica e duas perspectivas o conduziram para esta mudança:

A primeira foi o reconhecimento de que o existencialismo de seu período anterior, com sua ênfase unilateral no momento presente do encontro e decisão divino-humanos, poderia enfraquecer a força central da Bíblia no que Deus havia feito pela humanidade, reconciliando o mundo consigo mesmo. A segunda foi a ascensão de Hitler ao poder, com a perseguição dos judeus e a “teologia natural” dos “cristãos germânicos”, que procuravam justificar o socialismo nacional e as políticas racistas recorrendo a uma doutrina de “ordens naturais da criação”. Barth sentiu que isso traía a compreensão cristã da graça, apelando para outras fontes de revelação além de Jesus Cristo: ele era o judeu em quem Deus havia derrubado as barreiras entre os judeus e todos os outros grupos étnicos (os “gentios”); ele é a cabeça da igreja e do estado; apenas a ele devemos lealdade suprema. (TORRANCE, In: KEELEY, 2000, p.326).

Esta foi a grande obra de Barth, Franklin Ferreira nos diz que “Esta obra chegou a 13 tomos (um deles é o índice geral da obra), que se estenderam por 9.185 paginas! – quem as contou foi seu último assistente, Eberhard Busch.” (FERREIRA, 2008, 423).
Os doze tomos s são esboçados da seguinte forma: No primeiro temos a discurssão apresentada por Barth de que A Palavra de Deus é o Critério para se fazer Dogmática; no segundo somos introduzidos ao conceito da Criação onde Deus e seus atributos tornam-se manifestado; no terceiro temos a Doutrina da Eleição Gratuita de Deus; no quarto ele volta à questão da Criação como resposta ao mundo do modernismo de sua época; no quinto ele discute sobre a Criatura e desenvolve uma Antropologia Teológica sólida.
Já no sexto capítulo Barth introduz o leitor até a relação entre o criador e a Criatura. Na discussão da providência de Deus e a criação dos Anjos são postulados com grande significado para a Teologia.
Os últimos capítulos da obra centralizam-se na Pessoa e na Obra de Cristo. Cristo é contemplado como sendo o mediador para reconciliar os pecadores com Deus; O cristo dentro da obra visto como o servo é significativamente considerado na obra a ideia do Servo Sofredor de Isaías 53. E termina-se a obra apresentando Cristo como a verdadeira Testemunha que anuncia e efetiva a obra de redenção ao mundo.
Ele insistia dizendo que “uma dogmática cristã deve ser cristológica em sua estrutura fundamental como em todas as suas partes, se é verdade que o seu único critério é a Palavra de Deus revelada e atestada pela Sagrada Escritura e pregada pela Igreja e se é verdade que esta Palavra de Deus revelada se identifica com Jesus Cristo.” (BARTH, Church Dogmatics,1956, I/2, §14, p. 114. I/2 §15, p. 975.)
Esta obra tem sido a mais importante de Barth porque tem levado a Igreja pensar sobre a sua identidade como tal; e, assim, deste modo levar os membros a pensarem teologicamente e praticamente sobre o propósito da existência humana frente aos grandes desafios que sobrevém na vida da Igreja.

III – SUA TEOLOGIA.

Um dos aspectos mais cativantes nas obras de Barth e a sua paixão pela Teologia, algo tão ausente em sua época , essa paixão estava vinculada à Palavra revelada de Deus. Ao definir a palavra “Teologia” ele diz:

A palavra ‘Teologia” inclui o conceito do Logos. Teologia é uma logia, lógica, ou linguagem lançada a Deus, a qual é possível realiazer e determinar também. O inescapável o significado de lógos é ‘palavra’ [...] A palavra não é necessariamente uma determinação do lugar único da Teologia, mas é indubitavelmente o primeiro. Teologia em si mesma é uma palavra, uma resposta humana. (BARTH, 1963, p.16,17)

Em meio a situação na qual a Alemanha estava mergulhada nascia a teologia de Karl Barth. Ao perceber que a Igreja estava se aliando ao Nacional Socialismo somos informados que

Por estar comprometido com a realidade social, Barth reage ao nazismo, mas sua reflexão sobre as questões políticas é teológica, pois está preocupado com a fé cristã e com a igreja evangélica na Alemanha. Escreve então um manifesto - A existência teológica hoje [Teologische Existenz heute] – na noite de 24 para 25 de junho, quando Bodelschwingh se demite. O centro da discussão do manifesto de Barth é a questão da Palavra de Deus e sua importância no caráter e na vida do cristão. A teologia de Barth é cristológica e chama a atenção dos cristãos para o papel da igreja enquanto proclamadora da Palavra de Deus no mundo. Este manifesto teológico configurava-se como reação política, contrariando a proposição dos Cristãos Alemães de apoio e incorporação aos princípios do Reich. (FERRIRA, 2008, p. 428).

Esta teologia forjada no calor da batalha política e ideológica o fez dizer algo realmente significativo sobre a realidade da Igreja de Cristo:

A Igreja Cristã não está no Céu, mas na terra e no tempo; ainda que seja um dom de Deus inserido nas realidades humanas e o que se passa dentro da Igreja corresponde a essas realidades [...], pois a Igreja, sem dúvida nenhuma, deve ser um lugar onde ressoa uma palavra que se dirige ao mundo. (BARTH, Esboço de Uma Dogmática, 2006, p.9-10)

O problema real era que esta Igreja na época já não tinha uma palavra para dirigir-se ao mundo; e Barth questionava as duas bases fundamentais nas quais a Igreja estava apoiando o Nazismo. A primeira base questionada por Barth era “a questão da reforma eclesiástica, a da nomeação de um bispo do Reich e a existência do movimento dos Cristãos Alemães”. Para Barth não era possível que se visualizasse num evento da história uma “nova ordem para a igreja”, isso só era possível por meio da revelação de Deus, a Palavra. Com relação a figura do bispo, um Führer dentro da igreja (Reichsbischof), mostra a clara associação do cargo com o Führer nacional socialista e para o modelo de onde foi tirado, o episcopado católico romano.
Um biográfo de Barth nos lembra algo que é muito importante sobre estas duas perspectivas claras na concepção Barthiana:

Duas concepções da Igreja foram postas à prova no curso do período hitlerista. E foi do seio da Igreja Reformada, malgrado seus defeitos e fraquezas, bem como suas tentações para seguir também no sentido da grande corrente que arrastou a Alemanha, que nasceu uma Igreja de oposição. E não apenas um movimento, mas uma verdadeira Igreja. A força profética de alguns, e de Barth em particular, fez compreender às comunidades confessionais que, além das estruturas e das instituições, encontravam-se verdades evangélicas que era proibido calar ou apenas cochichar. Os reformados estavam mais bem preparados para ouvirem esta mensagem que os luteranos, presos aos seus bispos e a uma concepção de Igreja afastada das preocupações sociais. Naturalmente rígida, e ainda mais emperrada e imobilizada pela atitude de Pio XII, a Igreja Católica foi incapaz de ouvi-la e, muito menos, de proferi-la. (CORNU, Karl Barth, teólogo da liberdade, p. 201).


Então, temos uma teologia sendo alicerçada dentro da resistência ao sistema Nazista, mas não apenas isso nós temos o nascimento de uma Igreja que deseja confessar apenas Cristo como o centro da história dos homens.
A Igreja Confessante nasce neste conflito. Esta igreja é apoiada por Dietrich Bonhoeffer, Hermann Hesse, Karl Immer, Heinrich Vogel, Martin Niemöller e Hans Asmussen (membro da Igreja Luterana da Suécia), que em 4 de janeiro de 1934 se reuniu como concílio livre das comunidades luteranas-reformadas em Barmen. Barth apresenta uma declaração sobre a correta compreensão das confissões na atualidade, e tem inicio a “disputa pela Igreja” (Kirchenkampf). Em 16 de maio, em Frankfurt, é realizada uma reunião da Comissão Teológica, preparando um concílio confessante, que ocorre em 31 de maio, onde é aprovada a Declaração Teológica (Declaração de Barmen). Seu primeiro artigo diz:

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14.6). “Em verdade, em verdade vos digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim será salvo” (João 10.1, 9). Jesus Cristo, tal como nos atestam as santas escrituras, é a única Palavra de Deus que devemos escutar, à qual nos devemos confiar e obedecer, na vida e na morte. Rejeitamos a falsa doutrina segundo a qual a Igreja teria, além e ao lado da Palavra única de Deus, outras fontes de testemunho, isto é, outros acontecimentos e outros poderes, outras personalidades e outras verdades que corroborariam a revelação divina. (BROWN, Robert McAfee, Kairos: Three Prophetic Challenges to the Church, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1990.).

Esta concepção de Barth, refletida neste documento, custou-lhe a cadeira de professor universitário por recusar-se a usar a saudação “Heil Hitler!”, sendo expulso da Alemanha, em 1935. Passou então a lecionar na Suíça, na Universidade de Basel, continuando a auxiliar estudantes e fornecendo literatura teológica para os pastores alemães. Sua influência teológica cresceu mundialmente entre todas as tradições cristãs.
Apenas no período do pós-guerra, especificamente depois da Segunda Guerra Mundial, sua teologia foi tornando-se mais clara e mais polêmica. Ele notoriamente inserido dentro da tradição Reformada passou a rejeitar o Batismo Infantil, e a razão subjacente para isto encontra-se no seu entendimento de que o Batismo não é Sacramento. Sua posição pode ser resumida como se segue: o batismo não é um sacramento, e sim uma resposta ao único sacramento da história de Jesus Cristo, da sua ressurreição, do dom do Espírito Santo, e que, portanto, o batismo das crianças deve ser descartado como “uma práxis penitencial profundamente distorcida”. (Barth, O ensino da igreja acerca do batismo, Porto: [s/ed.], 1965).
Barth também rejeitou a Hemenêutica existencial de Bultmann, pois ele mesmo diz que a “o Novo Testamento de Bultmann, quando liberado dos mitos (reais ou imaginários), exalou um ‘forte odor de docetismo’”. (Apud, SCHWARZ, Mudança de paradigma da Igreja, p. 156).
Os temas teologicamente elaborados por Barth são variados que podem ser agrupados em 12 princípios basilares para se compreender a teologia que ele desenvolveu:

1. A dogmática é uma função da Igreja.
2. A dogmática deve estar baseada na Palavra de Deus somente.
3. A primeira e última pergunta da dogmática é a pergunta sobre Deus.
4. A dogmática sabe que Deus se revelou somente em Jesus Cristo.
5. O pensamento dogmático sobre a revelação de Deus em Cristo é um pensamento automaticamente trinitário.
6. A dogmática relaciona todas as partes [loci] da dogmática para seu centro cristológico.
7. A dogmática reconhece seus limites e preserva o mistério de Deus.
8. A dogmática insiste na liberdade do Evangelho de uma relação de a priori com a existência humana.
9. O pensamento dogmático não separa a ética da dogmática.
10. A dogmática se recusa a admitir qualquer tipo de dualismo e assim se recusa a considerar o mal tão seriamente quanto a graça.
11. A dogmática se move da ação para a existência, da realidade para possibilidade, do Evangelho para Lei, do “sim” de Deus para o “não” de Deus.
12. O pensamento dogmático sabe que uma dogmática pode ser arquiteturalmente bonita e teologicamente exata. (BOLICH, 1980, pp. 121-122).

É digno de nota que para Barth, a “dogmática é a ciência na qual a Igreja, segundo o estado atual do seu conhecimento, expõe o conteúdo da sua mensagem, criticamente, isto é, avaliando-o por meio das Sagradas Escrituras e guiando-se por seus escritos confessionais” (BARTH, Esboço de Uma Dogmática, 2006, p.12-13).
Deus é “absolutamente diferente. Não está relacionado a nenhum processo de aperfeiçoamento de algo que seja bom.”. (FERREIRA, 2008, p. 435) Deus se revela em Cristo, mas ele continua sendo o absolutamente o Outro. E o real encontro que homem pode ter com Deus é somente em Jesus Cristo. E assim somos introduzidos ao conceito real de revelação de Deus na vida da Igreja.
A doutrina da revelação de Barth – ou a palavra de Deus – é condicionada do principio ao fim pelo contraste entre tempo e eternidade. Esta pressuposição constitui um elemento de idealismo na teologia de Barth, que de outro modo toma a forma de protesto contra a tradição idealista. “Eternidade” neste contexto não sugere prolongação do tempo, ou eternidade no sentido bíblico de nova era. Como Barth usa o termo, refere-se em lugar disso, ao puramente transcendental, que nada tem em comum com o tempo e que, portanto, pode estar igualmente presente em todas as épocas. A relação Deus-homem é concebida com paralelo direto do contraste entre tempo e eternidade.

Na teologia de Barth a Palavra de Deus é o conceito central. A Palavra de Deus vem até nós em uma forma tripla: a Palavra pregada, a Palavra escrita e a Palavra revelada. Correspondentemente, a Palavra é, por natureza, fala, ato e mistério – uma triplicidade que está presente em cada forma da palavra de Deus. Esta triplicidade na unicidade e esta unicidade na triplicidade oferecem a única analogia à doutrina da Santa Trindade. (FERREIRA, 2008, p. 436)

O que está inserido neste conceito Barthiano a respeito da Escritura? Está inserido a ideia de que

A palavra de Deus nos confronta na Escritura Sagrada, mas a Escritura não é, no sentido verdadeiro, palavra de Deus; é apenas testemunho dela e aponta para a eterna Palavra de Deus. Da mesma forma, o Cristo da história não é nem Filho de Deus nem Filho do Homem, no sentido exato. Em vez disso “ilustra”, e nos apresenta, como por analogia, as ações do eterno Filho de Deus e providencia o modelo para o papel do homem diante de Deus. (FERREIRA, 2008, p. 436)

Qual é o problema desta concepção de Barth para a teologia centralizada nos ensinos da Ecritura? A resposta pode ser a seguinte, e pensamos que tal resposta faz jus a toda ideia apresentada até o presente momento sobre a teologia de Barth:

Pode-se ir mesmo além e dizer que Cristo – como pessoa histórica – não realizou nossa salvação dentro do contexto do tempo, mas que apenas dá testemunho da salvação eterna, cuja realidade se encontra no decreto de Deus, e a proclama. Como resultado disso, o conceito de salvação de Barth enfatiza o conhecimento: a morte e a ressurreição de Cristo deram a conhecer ao homem que a salvação eterna consiste nisto, que o Pai primeiro rejeitou e então elevou o Filho. Os que reconhecem este fato foram reconciliados com Deus. A história da salvação como registrada na Bíblia é apenas um reflexo da eterna “história da salvação” (Heilsgeschichte). Aprende-se a conhecer esta através daquela, e é assim, segundo Barth, que ocorre a reconciliação. O perdão dos pecados e a justificação nos fornecem uma analogia e representa aqui no tempo, aquela salvação eterna que é a única que constitui a base e o verdadeiro objeto da fé. Barth evitou usar o termo “história da salvação” (Heilsgeschichte), preferindo o conceito de Geschichte Jesu Christi (“História de Jesus Cristo”). (HÄGGLUND, 1995, p. 349)

Isto nos leva para a sua Cristologia que é exatamente converge toda a doutrina da Revelação e da Palavra de Deus; isto é muito claro conforme nos apresenta Franklin Ferreira:

A Palavra de Deus é, a rigor, a pessoa de Jesus Cristo, que inclui sua encarnação e redenção. ‘Assim a Escritura se impõe a si mesma, em virtude desse conteúdo. Em contraste com todo outro escrito, a Escritura, com este conteúdo – realmente esse! – é Escritura Sagrada’ e ‘isso implica que a Escritura Sagrada também é a Palavra de Deus’. A palavra de Deus, segundo Barth, confronta o homem não apenas na mensagem proclamada, mas também na palavra escrita (a Bíblia), que fornece as normas para a pregação e o critério segundo o qual a pregação deve ser testada. (FERREIRA, 2008, p. 436).


CONCLUSÃO:

A vida e obra de Barth tem sido inspiradora na vida de muitos teólogos, pois, a sua luta para que o Nazismo não se promovesse com o apoio das Igrejas Cristãs de sua época, nos revela que ele foi um profeta levantado por Deus em seu tempo.
Nunca devemos esquecer que graças ao trabalho intelectual e pastoral de Barth a Igreja não se tornou obsoleta, sem nada a comunicar a um mundo que já não acreditava na Bíblia, na mensagem dos pastores, então ele consegue ser ouvido em uma multidão.
Devemos estar sempre atentos para que não façamos injustiças contra Karl Barth, pois, ele tem sido mal compreendido por muitos teólogos. Sua concepção da Palavra de Deus e da Igreja nos tem revelado alguém que de fato ama a Igreja; Deus, a encarnação e centro cristológico abordado em toda a sua obra sugere para nós o cristocentrismo Barthiano.
Mas devemos nos ficar alertados para alguns equívocos da Teologia de Barth como coloca muito bem A.D.R.Polman:

Não negamos os grandes méritos desse teólogo suíço. Sua incansável luta contra o neo-protestantismo, em todas as suas diversas formas, e contra o catolicismo romano não é estéril. Sua franca confissão acerca da Trindade Santa, da Deidade de Jesus Cristo, da absoluta corrupção do homem e da justificação somente pela fé tem fortalecido o coração de milhares de crentes no mundo inteiro. Seu poderoso apelo para que se passe radicalmente do sujeito para o objeto, da colocação do homem piedoso no centro para a focalização de Deus somente, sua passagem de experiências piedosas para a autorizada Palavra de Deus, tem sido uma bênção indizível para todas as igrejas. Em muitos países um novo estímulo, para o estudo da Bíblia deve-se-lhe atribuir, e através de sua obra questões exegéticas e dogmáticas passaram a ser alvo de muito maior interesse. Muitas igrejas aprenderam de novo com ele o que significa ser igreja de Jesus Cristo, igreja que pode e deve ouvir exclusivamente a Palavra do seu Rei e Senhor. (...) Alegremente reconhecemos tudo isso com gratidão. Mas apesar disso não se pode negar que esse punjante pensador submete constantemente a revelação de Deus na Santa Escritura às suas próprias teorias [e.g., sua discussão sobre a Escritura, suas doutrinas da predestinação e da criação]. (...) Em todo o seu pensamento falta-lhe aquela submissão à revelação da Escritura que encontramos de modo excepcional no teólogo não menor do que ele, Calvino. Isso é fatal no terreno santo dos mistérios de Deus. Tudo quanto se desvia da revelação divina exarada na Bíblia ou a diminui não tem valor no reino vindouro de Cristo, e deve ser rejeitado com implacável firmeza pela igreja de Cristo. Só uma teologia obediente à Bíblia pode atravessar séculos. A teologia bíblica de Calvino, pois, ainda viverá na igreja de Cristo muito depois que o poderoso sistema de Barth tiver passado à história. (Apud, FERREIRA, 2008, p. 451).

É exatamente esta falta de submissão constante às Escrituras em temas tão significativos para a vida da Igreja que nos faz recuar com a abordagem teológica de Barth, sua noção de inspiração também é altamente danosa e perigosa para a Igreja, pois, ficamos com uma Bíblia que em algum sentido é Palavra de Deus, mas em outro não é.
Barth ofereceu ao longo de alguns anos três interpretações do Credo Apostólico, mas não os atacou abertamente, todavia, omitiu ideias fundamentais que sempre foram defendidas pelos cristãos antigos. Este tipo de atitude é mais perigoso que qualquer ataque frontal. Sua teologia é importante para a igreja naquilo que se mantém fiel à revelação bíblica.

Embora Karl Barth não possa ser aceito como professor e mestre fidedigno pelo estudante que procura permanecer leal ao modo histórico cristão de entender a inspiração e a autoridade da Escritura, não pode haver dúvida que é imensa a sua contribuição à teologia evangélica. Em primeiro lugar, fez uma crítica radical do liberalismo e do seu otimismo superficial; depois passou a vigorosamente declarar de novo e reformular muitos ensinos cristãos fundamentais. Barth estimulou uma produção tremenda da erudição evangélica. O próprio caráter impressionante da obra de Barth, combinado com o fato de que em muitos aspectos apóia a posição ortodoxa, ao passo que, noutros aspectos revela fraquezas perigosas, e até mesmo fatais, tem dado motivação a vários dos pensadores cristãos ortodoxos mais produtivos. Não somente o criticaram e demonstraram sua divergência do cristianismo histórico e bíblico; mas também procuraram fazer, numa base mais completamente bíblica, aquilo que Barth fez a partir do seu próprio conceito da Palavra de Deus (BROWN, Harold O. J. “A opção conservadora” in: Stanley Gundry (ed.), Teologia Contemporânea, p. 353.).


Barth conseguiu deixar para teologia o maior lema dos teólogos “A Palavra de Deus como encargo da teologia”. Sua teologia foi o redescobrir da palavra para a necessidade humana e dua real validade nesta esfera.







REFÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.


GUNDRY, Stanley (ed.), Teologia Contemporânea ,São Paulo: Mundo Cristão, 1987.
BROMILEY, Geoffrey W. An Introduction to the Theology of Karl Barth Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 1979.
HÄGGLUND, Bengt História da Teologia Porto Alegre: Concórdia, 1995
BROWN, Colin. Filosofia e fé cristã; um esboço histórico desde a Idade Média até o presente SP: Vida Nova, 1989
GIBELLINI, Rosino. A teologia no século XX ,São Paulo: Loyola, 1998, p. 18.
TILLICH, Paul. Perspectivas da Teologia Protestante nos séculos XIX e XX ,São Paulo: ASTE, 1999.
KEELEY, Robin (org.), Fundamentos da teologia cristã, São Paulo, Vida, 2000.
Timothy GEORGE, Teologia dos reformadores, São Paulo: Vida Nova, 1994, pp. 163, 165.
MONDIN, Battista. Os grandes teólogos do século vinte; vol. 2 – os teólogos protestantes e ortodoxos, São Paulo: Paulinas, 1980.
CORNU, Daniel. Karl Barth: Teólogo da liberdade, Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1971.
LANE, Tony. Pensamento cristão; vol. 2 ,São Paulo: Abba, 1999.
HENRY, C. F. H. Fronteiras na teologia moderna , Rio de Janeiro: JUERP, 1971.
BOLICH, Geoffrey. Karl Barth & evangelicalism (Downers Grove, Il: InterVarsity Press, 1980)
BARTH, Karl Dádiva e Louvor; artigos selecionados ,São Leopoldo: Sinodal, 1986.
____________, Karl. Evangelical Theology – An Introduction, New York: Holt, Renehart and Winston, 1963.
____________. Esboço de Uma Dogmática, São Paulo: Fonte Editorial, 2006.
____________. Church Dogmatics, New York: G. W. Bromiley e T. F. Torrance, 1936.
FERREIRA, Franklin. História da Igreja. São Paulo: Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, 2002.
LATOURETTE, Kenneth Scott. Uma História do Cristianismo – vol.1 & 2, São Paulo: Hagnos.2007.

2 comentários:

Marcelo Santos da Silva disse...

Lendo seu trabalho sobre Barth, fui muito instruído sobre a vida e a teologia desse grande homem. Deixo claro que com com suas palavras pude ter uma excelente visão acerca dele e das suas compreensões da teologia bíblica, fato que em grande parte, segundo o que expôs, concordo co este vulto histórico. Consequentemente descordando de sua conclusão de que devemos ter cuidado com algumas coisas ditas por Barth, em detrimento dos ensinos de Calvino. Deixo claro, que os escritos de Calvino não são em nenhuma instância, o cerne da teologia, pois este é lugar das escrituras e consequentemente Jesus Cristo. Alguns teólogos tendem a quase divinizar Calvino e seus ensinos, chegando mesmo a dizerem que se não fosse por ele nã teriamos o entendimento que hoje temos. É claro, ele teve sua cota de responsabilidade, mas não acho que sua teologia seja a verdade que a igreja deva seguir piamente como se deixa claro na sua conclusão, fazendo coro com vários outros teólogos. Muito obrigado pelo seu trabalho que muito me elucidou, mas me desculpe por descordar de alguma coisa.
Marcelo Santos da Silva
marcelossilva_peregrino@hotmail.com

João Ricardo disse...

Olá, obrigado pelo comentário! Ah não se desculpe por discordar, sua mente reflexiva é pertinente a este espaço - Nao compreendo ou tomo calvino como a última palavra em Teologia - sei que antes dele houve grandes vultos, faço menção a Calvino - porque o espço se dedica a avaliar a Teologia Calvinista ou oferecer uma resposta calvinista a estas teologias (concentro-me aqui neste espaço a lidar com a Teologia reformada e não-reformada).